INCÊNDIOS


INCÊNDIO NOS QUARTÉIS

No dia 12 de Outubro de 1898 deflagrou urn violento incêndio que destruiu o edifício dos Quartéis desta vila.
No ataque a este incêndio distinguiu-se urn dos Bombeiros-Fundadores da Associação, José da Silva Ligeiro, a quem foi atribuída a Medalha de Prata de D. Maria II.
É do seguinte teor o Decreto que lhe concedeu aquela distinção:
«Por decreto de Sua Majestade de 19 de Janeiro de 1899, Ministério do Reino, 1.ª Repartição.
Sua Majestade El-Rei, atendendo aos importantes serviços que o aspirante n.º 31 do Corpo de Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, José da Silva Ligeiro, prestou corn maior dedicação e risco da vida, por ocasião do violento incêndio em 12 de Outubro último no edifício dos Quart6is daquela vila: Há por bem, visto a informação do Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo, fazer-lhe mercê da medalha de prata para distinção e prémio concedido ao rnérito, filantropia e generosidade.
Pelo que Ordena às Autoridades, e mais pessoas a quem o conhecimento deste diploma pertencer, que o curnpra e guardem, como nele se contem, permitindo ao agraciado usar livremente a referida medalha de distinção.
Não pagou direitos de Mercê nem imposto de sê1o e emolumentos por os não dever.
E para sua salvaguarda se passou a presente Portaria que vai selada corn o selo das Armas Reais.
Paço das Necessidades, 29 de Março de 1889 José Luciano de Castro.»
(0 Lima, 22-7-61 - Resurno)

O INCÊNDIO NO SOLAR DO CARDIDO

Cerca da 1 hora da madrugada do dia 24 de Dezembro de 1938, foi o solar do Cardido assaltado por um incêndio destruidor que, a despeito dos mais arrojados esforços, lhe devorou os mais importantes e lindos salões, com todo o recheio.
A nossa corporação dos B.V., antes mesmo de lhe serem solicitados os seus serviços, já se encontrava a caminho.
No local do sinistro, de tal maneira actuaram os nossos homens que o incêndio foi localizado e, em seguida, extinto.
Distinguiram-se nesta luta, sem menosprezo para os outros, os bombeiros João Varela, Ant6nio Melo, João Mendes e Aníbal Varela.
De Viana, chegaram também as corporações dos Municipais e Voluntários que haviam sido requisitados pelo telefone da Empresa Eléctrica do Coura.
Felizmente que ainda havia este telefone particular. Que outros telefones hão de vir para as calendas gregas. Os bombeiros vianenses colaboraram, na medida das suas forças, com os nossos.
(Cardeal Saraiva, 29-12-1938)

UM CREPITANTE INCÊNDIO

Cerca das 6 horas do dia 10 de Janeiro de 1940, manifestou-se urn violento incêndio na casa do Sr. João de Lima Novo, ao Largo 13 de Fevereiro, onde estava instalado urn forno de pão de milho, cujas proporções atingiram em breve carácter apavorante.
Dado o sinal de alarme, prontamente acorreram ao local do sinistro os nossos intrépidos bombeiros Voluntários que, coadjuvados por elementos do sexo feminino que carrejavam água, - substituindo modernas auto bombas - conseguiram depressa debelar a fogueira, que ameaçava outras casas, e da qual a separavam simples muros de estuque.
Os prejuízos que foram totais serão cobertos pela companhia seguradora «Argus».
Também compareceram nesta vila as corporações dos Bombeiros Municipais e Voluntários, de Viana, que não chegaram a operar, dadas as circunstancias da extinção do incêndio.
Apelamos para os limarenses que podem, a fim de ser dotada corn o material imprescindível a nossa corporação de bombeiros.
(Cardeal Saraiva, 11-1-1940)

INCÊNDIO NAS OFICINAS DE S. JOSÉ

Ponte de Lima, 11 - Na manhã de hoje deflagrou violento incêndio na ampla propriedade onde se encontram instaladas as Oficinas de S. José, corn entrada pela R. General Norton de Matos.
Dado o alarme, imediatamente avançaram para o local do sinistro os Bombeiros Voluntários desta vila, corn o seu material, e empregaram para debelar o fogo 6 agulhetas, montadas nos tanques-reservat6rios existentes na propriedade.
0 incêndio atingiu proporções assustadoras, presumindo-se que as suas causas fossem provocadas por um curto-circuito.

Das dependências ocupadas pela instituição ficaram completamente destruídas as oficinas de alfaiataria e sapataria, a cozinha e a adega. Também sofreram estragos os dormitórios e outros compartimentos do amplo imóvel, de tal modo ficaram danificados, que, praticamente, não podem ser utilizados.
Durante o ataque ao fogo, e no momento em que as chamas envolviam o edifício ameaçando-o de destruição completa, salientou-se o auxilio prestado pelas mulheres limianas. Num abnegado gesto, como «formigas», acudiram com vasilhas dos mais variados tipos, acarretar agua de outros pontos para os tanques onde se encontravam montadas as agulhetas. Também é digna de respeito a atitude assumida pelo chefe de conservação da Junta Autónoma das Estradas que urn camião-tanque daqueles serviços se empregasse no transporte de água do rio Lima para o local do sinistro. Aponta-se o facto dos Bombeiros Voluntários da vila não se encontrarem devidamente apetrechados com os lanços de manqueira necessários, para acudir a um incêndio como o que destruiu parcialmente as Oficinas de S. José.

Em consequência do alarme provocado pelo sinistro, chegaram a avançar para Ponte de Lima as 40 corporações dos Bombeiros Voluntários e Municipais de Viana do Castelo, cujos serviços não foram utilizados.
0 fogo, deflagrara pelas 9 horas, quando os educandos iniciavam os seus trabalhos, e foi dado por dominado às 10,30 horas seguindo-se os trabalhos de rescaldo.
Como as crianças que se encontravam ao cuidado das Oficinas de S. José em número aproximado de 100 não puderam ali ser recolhidas dadas as destruições provocadas por tão violento incêndio, as principais famílias limianas prontificaram-se a albergar nos seus lares os educandos. Em face desta meritória atitude, as crianças foram distribuídas por algumas casas da vila, onde ficam a receber agasalho e pão. Aproveitarão assim, este elevado gesto de altruísmo até que a situação seja resolvida.
(0 Primeiro de Janeiro, 12-5-1954)